Os 4 vilões da tomada de decisão

Atualizado: Mar 24

“Se eu pudesse voltar no tempo...”. Com certeza você já pensou assim. Se nossa vida é uma peça de teatro, não há ensaios, as cortinas se abriram sem aviso prévio e podem se fechar a qualquer instante. O máximo a ser feito é buscar boas decisões, pois são a partir delas que o enredo se desenrola. A pergunta importante é: como fazer isso?



Os irmãos e autores Chip e Dan Heath descrevem no livro Gente que Resolve como conduzir nossas decisões bloqueando o efeito dos principais vilões. No entanto, este método não se aplica a atitudes instantâneas. Por exemplo, em uma partida de futebol, se deve ou não tocar para o zagueiro. Mas sim em grandes decisões, como a mudança de emprego ou o próximo passo no relacionamento.


Vejamos então quem são os quatro vilões e como combatê-los.


#1 Visão estreita



“Devo ou não devo aceitar a proposta de emprego?”, “Compro ou não compro este aparelho?”, “termino ou não termino com ele?”, ... É muito comum cairmos nestas armadilhas. Decisões com respostas de “sim” ou “não” são limitantes e insensatas.


Por que não pensar também em abrir um negócio, mudar de área ou tirar um momento sabático, além da proposta de emprego? Isto até acontece quando a decisão parte de nós. Porém na grande maioria não ocorre assim e somos induzidos a avaliar apenas aquilo que está a nossa frente.


Para evitar este mal, precisamos acender um alerta e intencionalmente se questionar o que mais pode ser considerado como opção. É como se estivéssemos antes enxergando um único ponto da fotografia e passássemos a mover o holofote.


#2 Viés de confirmação



Ao vencer o primeiro vilão e acrescentar opções no processo, precisamos então buscar dados para compará-los. Nesta etapa, temos tendência a gostar mais de uma das opções. Daí vem o desafio seguinte: vencer o viés de confirmação.


Quando isto ocorre, nosso inconsciente filtra informações recebidas, destacando as qualidades da nossa preferência e diminuindo as dos demais. O efeito é inverso em relação aos defeitos, deixando o favorito sempre em vantagem.


Este resultado é sempre nocivo, pois conduz a um processo parcial de levantamento de dados. É como se você estivesse de regime em uma churrascaria e perguntasse ao garçom ao passar com o carrinho de sobremesas: “esta torta é boa?”. Você não busca uma resposta honesta, mas sim uma justificativa para sua decisão interna.


O grande segredo é confrontar as informações, trazendo à superfície fatos ocultos. Por exemplo, em decisões coletivas, a unanimidade nunca é favorável. Questionamentos devem ser promovidos para enxergar o outro lado.


#3 Emoções imediatas



Se os dois primeiros vilões foram vencidos, esta deveria ser a etapa mais fácil. Agora você possui opções e informações confiáveis. Basta decidir! Porém... um ingrediente necessário e presente em toda decisão é a emoção. Se não soubermos domá-la, acabamos paralisados ou sendo impulsivos.


Lembre-se da última vez que foi ao mercado. Tenho certeza de que trouxe mais itens do que havia na lista. Mesmo que queira justificar (e isso é natural), na maioria foram compras resultantes de emoções imediatas.


Talvez tenha sido a sensação de vantagem em possuir aquele novo modelo de mata-moscas, ou a facilidade do produto de limpeza. O fato é que somos tomados por impulsos e que acabam guiando nossas decisões, desconsiderando qualquer planejamento prévio.


A sugestão é sempre se afastar antes de decidir. Passe pelo menos uma noite com a ideia na cabeça para o inconsciente trabalhar e trazer novos insights. Ao fazer isso, você também transfere o controle da decisão para seu racional.


#4 Excesso de confiança



Este vilão é o menos combatido. Afinal, o que pode ocorrer depois da decisão? Nossa tendência é achar que o processo termina quando fazemos a escolha. Assumimos que nada pode dar errado, e caso dê, sucumbiremos com nossa opção.


Isto não precisa ser assim. Devemos considerar falhas em nossas premissas, estando prontos a mudar o rumo da decisão caso o plano não se concretize. Na lógica faz sentido, mas na prática não é fácil. Há um fator que dificulta: o viés do custo afundado.


Este viés nos faz valorizar demais o tempo já investido, tornando mais difícil o desapego à decisão inicial. O resultado é mergulhar ainda mais em escolhas que não faríamos se soubéssemos dos fatos ocorridos no início.


A solução é sempre considerar nossas premissas passíveis de erro e pensar em um plano B. O momento de abandonar a escolha precisa ser definido no início estabelecendo marcos. Por exemplo, “se eu não recuperar o valor investido em até 6 meses, interromperei a operação e iniciarei um novo produto”.


Qualquer grande decisão depende exclusivamente de sair do piloto automático e tomar as rédeas do processo. Ainda assim, você será vítima dos quatro vilões. Se refletir um pouco, perceberá que eles estão apenas em sua cabeça. A prática torna mais fácil este combate e te deixa hábil para decisões complexas.

20 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo